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Segunda-feira, Maio 08, 2006
O vazio é grande. O infinito parece um caminho viável. A direção é turva, mas eu nem olho mais pra bússola. No caminho tenho descoberto muito, sobre mim e sobre os outros. Nem sempre é muito bom saber demais. Os passos desgovernados levam para algum lugar, eu creio. Mas não é tão difícil. É só fingir que nunca acreditei no que pensava. O bom de cair é a que gente sente onde fica o chão. Quando descobre, o medo diminui. Agora o chão pode trocar de nome. Pode ser base. Uma base diferente, uma base co-sanguínea. Eu que não entendia esses laços fui alertado de que não existem outros. O ruim é saber que somos todos leões adolescentes. Fortes de maneira desproporcional, mas medrosos como na recente infância. O ataque é a melhor defesa, dizem. Não sei mais. Minha caverna tem estado tão quente. Meu chão não se move mais. Pelo menos por enquanto.E não tenho mais vontade de rugir pra vida, de colocar minha juba ao vento. Só quero lambidas carinhosas em minhas feridas. O novo eu é gerado. Infelizmente menos romântico. A Sessão da Tarde me mentiu o tempo todo. Não existem leões solitários que andem acomapnhados. Dizendo assim fica rídiculo não ter percebido a contradição. Talvez eu ande sozinho, para sempre. Talvez encontre outra forma de canalizar meus sentimentos. Talvez eu gere uma família pelo egoísmo de ter alguém para amar. Talvez o infinito tenha fim. Ou o buraco negro seja dar voltas ao redor de si mesmo.
Publicado por Luis Filipe em 7:07 PM
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